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- PRECONCEITOS E INTOLERÂNCIA

 

            Por Milly Lacombe.        

 

            Cheguei em casa ontem, depois de um longo dia de trabalho, e liguei a TV para assistir ao jogo entre Inter e Rosário Central, que valia classificação para as quartas de final da Copa Sulamericana. De repente, comecei a registrar o número de vezes que o comentarista da SporTV, o experiente Raul Quadros, falava algo como: “Esses argentinos são uns folgados”. “Esses argentinos só vieram aqui para bater”. “Esses argentinos só sabem catimbar”. “Se deixar, esses argentinos vão bater o jogo inteiro”. “São uns mal educados esses argentinos”.

            Certo, temos, há muito, uma rixa com nossos vizinhos portenhos.

Uma rixa, diga-se de passagem, que é das mais bonitas do futebol mundial. Por isso, sempre que os enfrentamos, o jogo é tenso e altamente disputado. Mas será que alguém que tem na mão um microfone a está sendo ouvido por milhões de telespectadores tem o direito de propagar tão veementemente a intolerância?  

            Até um paralelepípedo – para ficar com Nelson – sabe que as generalizações são burras. Claro, há argentinos folgados, mal educados, batedores. Mas não há brasileiros com as mesmas características? E não há argentinos boa praça, leais, educados?

Ou ninguém mais lembra da cotovelada que o sempre calmo e educado Leonardo deu no americano durante a copa de 94? A cena do rapaz convulsionando no gramado é das coisas mais fortes que já vi no futebol.

Então, por causa dessa infeliz cotovelada, os americanos têm o direito de sair por aí dizendo que brasileiro é mal educado, troglodita, batedor?

Ou, para citar exemplos mais recentes, a entrada criminosa que nosso zagueiro Juan deu há alguns meses no atacante da seleção peruana durante as eliminatórias da Copa, em jogo disputado no Serra Dourada. Por causa dela, o pobre peruano teve que ficar quatro meses afastado do futebol. E pior: quando o tal atacante, que aliás era o mais perigoso do time, foi criminosamente agredido por Juan, na metade do segundo tempo, a seleção peruana já havia feito as três substituições a que tinha direito e teve, portanto, que jogar com dez.

Quanto ao Juan, levou apenas um amarelo.

Com o desfalque, os peruanos se desestruturaram e, pouco depois, Kaká fez o gol que deu a vitória a nossa seleção.

            Alguém abriu a boca para falar mal do Juan? Eu não ouvi. Será que o episódio dá direito aos peruanos de nos chamarem de criminosos? Claro que não.

            Portanto, menos xenofobia.

Aos narradores esportivos deveria ser dado um curso de tolerância para que eles entendessem que, mesmo com camisas diferentes e defendendo uma outra bandeira, somos todos seres humanos atrás de um mesmo objetivo: a vitória.



 Escrito por BlogGol às 15h05 [] [envie esta mensagem]






- RAPIDINHAS

 

Por Nelson Botter.

 

TUDO VAI ACABAR EM PIZZA?

 

Analisando os últimos fatos ocorridos no escândalo das arbitragens, começo a achar que tudo vai acabar numa grande pizza de muzzarela (curiosamente essa expressão se originou no futebol, numa briga envolvendo a diretoria do Palmeiras que depois se reconciliou numa pizzaria). Além da liberação do Edílson e do apostador Giba, há um problema maior nessa história toda: quais os critérios que serão adotados para se decidir se uma partida teve seu resultado alterado pela arbitragem? Todo mundo vai querer puxar a sardinha para o seu lado! E tem mais: estão dizendo que o jogo Vasco X Figueirense será anulado com certeza. Mas o Vasco será o maior prejudicado, pois ele não participou da maracutaia, ou seja, não tem culpa se o resultado foi alterado ou não. Isso abre uma brecha para que o Vasco se oponha juridicamente a uma nova partida, ainda maisse esses 3 pontos representarem rebaixamento pra ele, o que poderia melar o campeonato todo. Ah, mas o STJD tem o poder supremo!!! Não é bem assim, existe a justiça comum, apesar da FIFA ameaçar punições para quem a ela recorre. É, a coisa vai ficar mais feia do que se imagina, podem ter certeza. No final das contas, uma boa pizza resolve a briga.

 

 

É UMA PENA...

 

O mais lamentável nessa história toda é que o ótimo campeonato brasileiro, o mais disputado dos últimos anos, ficou em segundo plano. O foco das atenções se desviou para a arbitragem e a bola está sendo esquecida. Eu quero é gol!

 

 

SULAMERICANA

 

Acredito que o Corinthians pode ter dado um tiro no próprio pé ao eliminar o River Plate. Essa copa sulamericana de nada vale, só serve para desgastar as equipes e tirar a concentração máxima do campeonato brasileiro. Em plena reta de chegada, dividir as preocupações com essa copa sem propósito pode ser muito arriscado para o timão, ainda mais se hoje o Inter cair fora.

 

 

FUTEBOL É MUITO LOUCO

 

Há um mês o São Paulo era motivo de chacota, correndo risco de rebaixamento. Hoje, já recuperado do efeito "Boa Noite Cinderela" que a conquista da Libertadores provocou, tem gente acreditando em título. Acho muito, mas muito difícil mesmo. E não é só pelo fato da diferença de pontos com o líder, mas porque na reta de chegada do campeonato, em meados de novembro e início de dezembro, o tricolor estará com a cabeça totalmente voltada para o campeonato mundial em Tóquio, e provavelmente vai jogar as últimas partidas do brasileirão com o time reserva.



 Escrito por BlogGol às 10h08 [] [envie esta mensagem]






- RASGA TUDO!!!

 

Por Milly Lacombe.

 

No domingo, a torcida do Fluminense deu o tom do que vem por aí em matéria de coro de estádio. Durante o jogo contra o Santos - vencido pelo time carioca aos 49 do segundo tempo – toda vez que o sr. Wilson de Sousa Mendonça apitava algo que aos olhos da massa tricolor estava errado, as 15 mil pessoas presentes ao Estádio da Modernidade, em Volta redonda, gritavam: “Edílson! Edílson! Edílson!”.

 

Nada mais justo que o nome do larápio vire sinônimo de ladrão, mas se tem uma classe de cidadãos no futebol que talvez não precisasse de mais apelidos e coros elogiosos ela é certamente a dos juízes.

 

Agora, para a série de coisas que jamais entenderemos, gostaria de saber porque só oito dos jogos apitados pelo safadíssimo Edílson estão sob suspeita. Então o ladrão confesso diz que três dos 11 estão limpos e todos acreditam nele? A palavra do criminoso vale alguma coisa agora? Como um dos jogos mais polêmicos do ano (isso antes mesmo de sabermos das mazelas do sr. Edílson), São Paulo e Corinthians, não está na lista das partidas a serem investigadas? O fato de o argentino Sebá ter saído no intervalo do primeiro para o segundo tempo, quando o jogo estava empatado, reclamando que estava sendo ofendido e que teria sido ameaçado de expulsão nem ele sabe por que não é suspeito? Que juiz sem interesse no resultado faria isso? O fato não basta para que esse jogo também seja investigado? Esse e todos os outros comandados por ele, é evidente. Ou será que a lista do que deve ser investigado vai ser feita pelo bandido?

 

Aliás, quem viu a entrevista do juiz ao final de São Paulo e Corinthians deve estar se deleitando com a imagem do homem em cana. “Dá uma licencinha que agora eu tenho que tomar um banhinho”, bradou, riso safado no canto da boca, voz irônica e melada, aos repórteres que, ainda no gramado, queriam saber o que ele tinha dito aos argentinos do Corinthians.

 

Talvez fosse hora das organizações que regem o esporte pararem para refletir sobre o uso de tecnologia durante as partidas. Dizem os que são contrários à idéia que o jogo perderia o romantismo. Mas que tipo de romantismo pode haver em ver seu time ser roubado? Com o uso de câmeras e de um super juiz, que ficaria, assim como no futebol americano, em uma cabine rodeado por monitores, ficaríamos livres para torcer sem achar que existe ali em campo um poderoso sujeito que pode, de antemão, saber quem vai ganhar. E só assim recuperaríamos parte da inocência perdida com esse lamentável episódio.



 Escrito por BlogGol às 17h27 [] [envie esta mensagem]




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Escritora, jornalista, editora da Revista Tpm e comentarista do SporTV. Sua oração diária:" Deus proteja-me de seus seguidores e permita que o Timão vença a próxima".

Escritor e psicanalista. Organizador do blog literário Blônicas no UOL. Sua oração diária: "Senhor, não atenda a segunda parte da oração da Milly".
 
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