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LULA FOI INCONVENIENTE, MAS RONALDO TAMBÉM
Por Nelson Botter. Já é sabido que o presidente Lula adora falar de futebol, inclusive sempre usa o esporte como referência para suas metáforas em discursos e afins. Até aí tudo bem, cada um usa as armas que tem, alguns usam filosofia, outros papo de botequim, não é esse o problema, a questão é que o presidente precisa medir mais suas palavras. Claro, não falou nada de mais, afinal tocar no assunto "peso do Ronaldo" é lugar comum, o próprio Casseta e Planeta faz isso toda semana com o Bussunda vestido com a 9 da seleção, mas acontece que no cargo de chefe de estado, Lula deveria ter um pouco de previsibilidade e evitar assuntos que possam dar pano para a manga, que sejam um prato cheio para quem quer criar polêmicas... Aliás, é só falar em Lula que começo com metáforas. Não vi a teleconferência, mas quem viu disse que Lula não falou que Ronaldo está gordo, e sim que ele o tinha visto magro pessoalmente e que os jornais diziam o contrário, que o atacante estava fora do peso. E aí, talvez por falta de assunto, veio a pergunta besta: "É verdade que ele está gordo, Parreira?". Pronto, abriu o caminho para o falatório, ainda mais numa época em que tudo pode ser usado contra sua duvidosa figura de líder da nação. Para piorar a coisa toda, Ronaldo rebateu a fofoca de maneira deselegante (pois chegou aos seus ouvidos de maneira mais maldosa, já que ele não estava na teleconferência). Ciente de um dos pontos fracos do presidente, sempre acusado por abusar das bebidas alcoólicas, não mediu as palavras e desferiu um comentário agressivo e grotesco contra o representante máximo de seu país. Não precisava, Ronaldo pode fazer melhor que isso, pode mostrar no campo se está em forma ou não. É lá a resposta e não aos microfones. Eis o problema: a reação de Ronaldo revela estar saturado com esse assunto e seu nervosismo é evidente. Que isso não o prejudique em campo, pois a pressão está grande. Segundo o Blog do Juca, Ronaldo teria dito que gostaria de perguntar a Lula: "É verdade que o senhor bebe? Eu ouço muita gente falando que o senhor bebe demais. Deve ser mentira, como é mentira o fato de eu ser gordo". Hmmm... analisando essa frase, podemos talvez concluir até que Ronaldo concorda que está fora do peso... sei não, essas entrelinhas são perigosas. Para quem conhece Lacan meia palavra basta. Escrito por BlogGol às 19h23
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OS PERIGOS PSICOLÓGICOS DO FAVORITISMO EXAGERADO
Por Nelson Botter. Apesar dos jogadores da seleção e – principalmente – a comissão técnica declararem milhares de vezes que não existe clima de "já ganhou" ou "salto alto", não há como negar que a expectativa pela conquista do título da copa do mundo é imensa. Torcedores, profissionais de futebol e imprensa reconhecem no Brasil uma força quase imbatível, transmitindo exclusivamente para o selecionado brasileiro a obrigação da vitória. Com isso, as outras seleções se livram dessa responsabilidade, ela é exclusiva do Brasil, atuais defensores do título. E esse é o grande perigo da coisa: a ansiedade. Por mais que os jogadores brasileiros tenham consciência que nada está ganho e que será dentro de campo que a coisa toda se resolverá, é do ser humano alimentar uma expectativa exagerada para se conquistar um determinado objetivo. Isso gera uma ansiedade sem limites dentro e fora de campo, que dependendo do equilíbrio emocional de nossos jogadores, pode acarretar em descontrole e nervos à flor-da-pele. Num primeiro momento pode parecer exagero de minha parte, coisa de psicanalista que quer falar de futebol, mas durante o calor do jogo, numa partida decisiva, se o gol demorar a sair ou se as adversidades forem maiores do que o esperado, essa ansiedade pode se tornar o maior adversário da seleção brasileira, pois para ela não existe outra alternativa senão confirmar seu favoritismo. É uma situação muito complicada, a tal "sinuca de bico". É nesse momento que seleções inferiores tecnicamente conseguem triunfar. A velha história de Davi e Golias. E para piorar o quadro, sabemos que há seleções que apesar de tecnicamente inferiores à brasileira, são extremamente competitivas e têm todas as condições para chegarem ao título. Uma prova da pressão negativa do favoritismo exagerado se viu na copa passada, quando França (na época a atual campeã) e Argentina vinham carregadas de expectativas. Ambas as equipes se perderam dentro de campo e não passaram da primeira fase. Um tragédia anunciada, pois o esporte depende muito do estado emocional do atleta, e jogar uma copa já é um grande desafio psicológico, imagine com a necessidade de provar a todos que você realmente é o melhor. É para poucos... Sabemos que um competente trabalho psicológico é feito na seleção brasileira e que estão todos alertados quanto a esse problema. Futebol para ganhar dos outros nós temos, mas isso só não basta. É preciso foco no objetivo e equilíbrio emocional para mantê-lo. Lidar com a ansiedade é um dos maiores desafios do ser humano e se o Brasil conseguir derrotá-la, será a maior vitória de todas. Escrito por BlogGol às 11h11
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![]() Escritora, jornalista, editora da Revista Tpm e comentarista do SporTV. Sua oração diária:" Deus proteja-me de seus seguidores e permita que o Timão vença a próxima". ![]() Escritor e psicanalista. Organizador do blog literário Blônicas no UOL. Sua oração diária: "Senhor, não atenda a segunda parte da oração da Milly". |